Primeiro capítulo – Não quero perder você

gentle hugs

Passaram-se três anos desde o casamento de John e Louise, eles viviam felizes e até já faziam planos para uma nova gravidez. Era mês de setembro, Sarah estava prestes a completar três anos e Louise já começava os preparativos para a festa de aniversário.

Jennifer e Phil haviam se casado dois anos atrás no mês de janeiro, assim como foi também o casamento de John e Louise. A mãe de John continuava vivendo com Jennifer, mas a diferença é que agora seu marido Phil também fazia companhia para as duas. Ele conseguiu emprego em Berkeley e após o casamento preferiram morar todos juntos para que Mary, a mãe de Jennifer, não ficasse sozinha.

Desde o dia em que John contou a Richard que Louise, sua futura esposa, era a mesma prostituta com quem ele havia saído, nunca mais os dois se falaram, aliás, depois daquele dia os dois nunca mais nem ao menos se viram.

Como prometido, John tentava encontrar um homem bom com quem Stephany pudesse se casar, já havia lhe apresentado alguns homens, mas nenhum deles a agradou a ponto de ela pelo menos tentar um relacionamento. No entanto, Stephany tinha deixado de sair com vários homens, como fazia na época que tinha um caso com John. Na verdade, tinha ficado muito desapontada em ter perdido John para sua própria irmã. Mas Stephany precisava aceitar aquilo, pois não havia o que fazer.

Em uma noite em que Stephany estava passando o final de semana na casa de sua irmã, John levantou-se por volta das duas da madrugada para ir ao banheiro, estava quase estourando e não aguentaria ficar na cama até o dia amanhecer. Quando já estava aliviado e saía em direção ao seu quarto, deu de cara com Stephany apenas de camisola no corredor, ela então a abriu e mostrou seu corpo nu para John na tentativa de seduzi-lo.

— O que está querendo, Stephany? Você não respeita sua irmã? Se fizer isso de novo conto para Louise e tenho certeza que ela nunca mais lhe deixará pôr os pés aqui em casa, vista-se e volte a dormir.

— Desculpe-me, John. Foi um momento de fraqueza, tenho saudades do tempo em que saíamos juntos. De quando fazíamos sexo loucamente.

— Eu também gostava das suas loucuras, mas agora estou casado e não existe a menor hipótese de que eu traia Louise.

John voltou para a cama e percebeu que Louise estava dormindo.

“Ainda bem”, pensou ele. Se Louise visse aquela cena poderia entender tudo errado e aconteceria uma discussão entre os dois. E ele não gostava de discutir com Louise, mesmo nos casos em que ele estava com a razão.

John deitou-se na cama e por um breve momento a imagem do corpo nu de Stephany veio em sua mente. Era inegável que ainda tinha um corpo muito bonito e que os momentos que os dois passaram juntos foram muito bons, mas aquilo fazia parte do passado. Nada no mundo seria capaz de fazer com que ele traísse Louise, ainda mais com sua própria irmã.

No domingo pela manhã John acordou cedo, como de costume, e preparou o café, logo em seguida todos estavam de pé, inclusive Sarah, que não costumava dormir até tarde, pois precisava acordar cedo todos os dias para ir à escola.

— Bom dia.

— Bom dia, papai.

— Bom dia meu amor.

— Bom dia, John.

— O café está servido, apenas peço que não demorem muito, porque temos que ir à igreja. Você vai conosco, Stephany?

— Não costumo frequentar a igreja em São Francisco, mas vou com vocês sim.

— Ótimo — disse John.

Logo que tomaram café todos se trocaram e foram para a igreja, que ficava ali bem próxima da casa dos Sasters. Ao caminharem pela rua também encontraram Mary, sua mãe; Jennifer, sua irmã; e Phil, o seu cunhado. Sentaram-se no banco da frente, como de costume.

Stephany nunca tinha ido até aquela igreja, por isso prestava mais atenção no que tinha a sua volta do que na própria celebração. Foi assim que viu um homem, de aproximadamente quarenta anos, ao lado de duas crianças entre dez e doze anos. Depois de terminada a celebração Stephany perguntou a John.

— John, quem é aquele homem que estava sem a esposa e tinha duas crianças a seu lado? Ele estava sentado do outro lado, na mesma direção em que nós estávamos.

— Acredito que se refere ao Terry, ele não estava sem a esposa. Na verdade, a esposa dele faleceu há dois anos, agora ele vive apenas com seus dois filhos. Mas por que a pergunta?

— Fiquei interessada por ele, gostaria de poder conversar com ele.

— Semana que vem é aniversário da Sarah e ele é nosso convidado, se você quiser eu posso apresentá-los durante a festa.

— Você faria isso?

— É claro, não me esqueci da promessa que fiz de arranjar alguém para você. Se for o Terry, você terá um marido excelente, mas não esqueça que ele já tem dois filhos.

— Você sabe que eu não posso ter filhos, então não posso exigir um marido que não tenha filhos, porque eu não poderei dar um filho a ele. Também não posso exigir um homem jovem, pois já tenho trinta e quatro anos.

— Então combinado. No sábado eu lhe apresento ao Terry.

A semana passou e chegou o dia do aniversário. Louise e Stephany terminavam de enfeitar tudo enquanto John providenciava a comida e a bebida. Mary e Jennifer ficaram responsáveis por cuidar de Sarah, e quando chegou a hora combinada trouxeram-na para casa.

Quando estava terminando os enfeites Louise sentiu um mal-estar, mas logo passou. Nem deu muita importância para aquilo.

Logo os convidados começaram a chegar e as crianças brincavam pelo jardim.

A festa estava muito alegre e chegou o momento de cantar os parabéns. Sarah parecia uma princesinha. John pediu a palavra e agradeceu a todos os presentes.

— Quero agradecer a todos os meus parentes e amigos pela presença, a alegria está presente em minha casa e estou muito feliz em compartilhar este momento com vocês.

Toda a vizinhança e os amigos da família estavam presentes, inclusive Terry e seus filhos.

Depois que o bolo foi servido John foi até Terry e disse o seguinte.

— Como vai amigo?

— Tenho levado a vida como posso, já faz dois anos que tudo aconteceu, mas parece que foi ontem.

— Imagino como deve ser difícil para vocês, não imagino isso acontecendo comigo, acredito que não suportaria. Não sei o que seria de mim se Louise se fosse para sempre. Mas mudando de assunto, quero lhe dizer uma coisa…

— Então pode dizer.

— Está vendo aquela mulher bonita que está com a Sarah no colo?

— Sim. Realmente é uma mulher bonita, mas o que isso tem a ver comigo?

— Ela se chama Stephany, é minha cunhada e está interessada em você.

— Interessada em mim! Como você sabe?

— Ela me disse e me pediu para conversar com você. Já posso lhe adiantar que ela não pode ter filhos. Tem trinta e quatro anos e nunca foi casada.

— É, não estou procurando esposa, mas o perfil dela me interessa. Pode apresentá-la a mim agora?

— Sim, é claro. Vou chamá-la.

— Terry, esta é minha cunhada, Stephany. Stephany este é meu amigo, Terry. Agora vou deixar os dois para que possam conversar mais à vontade.

— Onde você trabalha Terry?

— Trabalho em uma empresa de comunicação. E você?

— Eu trabalho na mesma empresa onde John trabalhava antes de se mudar para cá. É uma empresa de Consultoria em Recursos Humanos e eu sou responsável pelo setor de RH. Estou nesta empresa há doze anos.

— Nossa! Você deve ser muito eficiente. Mas mudando de assunto, John me disse que você nunca foi casada. Existe uma explicação para uma mulher bonita como você continuar solteira até hoje?

— Sim. Eu não posso ter filhos. Por isso nunca consegui me casar.

— E como você descobriu isso?

— Aprendi com minha irmã que devemos dizer sempre a verdade. Você quer saber a verdade mesmo?

— Sim. Me conte como aconteceu isso.

— Sofri um estupro quando tinha vinte anos, tentei fazer um aborto e acabei perdendo o útero depois de uma infecção.

— Como assim, quem lhe estuprou?

— Meu padrasto, mas isso já faz tanto tempo que prefiro nem falar muito sobre o assunto.

— Entendo, deve ter sido muito difícil para você, passar por um estupro e ainda como consequência não poder mais ter filhos.

— Parece que você tem dois filhos?

— Sim, um menino de nove e uma menina de doze anos. Minha esposa Amy faleceu há dois anos e desde então a responsabilidade pela criação dos dois é toda minha.

— Não gostaria de dividir essa responsabilidade com alguém?  — disse Stephany pegando na mão de Terry.

— Eu amava minha esposa, mas sei que não posso continuar sozinho para sempre. Mas não acha que está andando muito rápido com as coisas?

— Me desculpe. Sou meio desastrada com os homens. Talvez seja por isso que ainda estou sozinha.

Apesar de dizer isso, Terry havia ficado interessado por Stephany.

— Gostaria de sair comigo nesta noite?

— Adoraria.

— Ótimo, te pego aqui às vinte horas.

— Combinado então.

— E aí Stephany, como foi a conversa com Terry?

— Foi ótima, parece que ele ficou interessado em mim da mesma maneira que eu me interessei por ele, vai passar aqui às vinte horas para sairmos.

— Ainda bem que vocês se entenderam, quem sabe ainda ficam juntos.

Depois que a festa acabou Stephany ajudou os dois a juntarem parte da bagunça que ficou espalhada pelo gramado. Então John disse o seguinte.

— Stephany. Já é tarde, pode deixar que terminamos de arrumar tudo, logo Terry passará aqui para te pegar.

— Não posso perder este encontro de jeito nenhum. Vou me arrumar sim.

— Então você está arranjando um casamento para minha irmã?

— Sim. Apresentei ela ao Terry. O que você acha disso?

— Ele parece ser um homem bom. Além disso, é viúvo e já tem dois filhos. Dificilmente ela conseguirá um homem que seja solteiro e que não tenha filhos. Não sei se Stephany saberia como lidar com os filhos dele, mas não custa nada tentar.

— É o que eu penso, mas se ela realmente quer arranjar um marido, terá que aceitar tudo isso.

Depois de algum tempo, quando os dois estavam terminando de arrumar tudo, Terry encostou o carro na frente do jardim.

— Vou ver se Stephany já está pronta — disse Louise.

— Boa noite, John.

— Boa noite, Terry. Louise foi ver se Stephany já está pronta.

— Estou ansioso para sairmos, quero conhecê-la melhor.

— Não vai precisar esperar mais, olhe quem está vindo.

— Nossa! Como você está linda Stephany.

— Você também Terry. Não me disse aonde vamos, por isso vesti a melhor roupa que tinha aqui.

— Tenho certeza que será a mulher mais linda do restaurante aonde vamos. Então podemos ir?

— Sim, é claro.

— Cuide de minha irmã, ouviu Terry.

— Pode deixar, antes de amanhecer trago ela de volta — disse ele com um sorriso.

— Tenho a impressão que eles vão se dar bem, parece que Terry ficou bastante interessado nela.

— Stephany é muito bonita, puxou a irmã.

— E pensar que você quase se casou com ela, a minha sorte foi você ter desistido na última hora.

— Na verdade eu desisti quando descobri que ela era prostituta.

— Mas eu também era.

— Sim, mas eu te amava, mas eu nunca amei Stephany, o que existia entre nós era apenas sexo.

— Não acha que o passado de Stephany pode estragar um possível relacionamento entre eles?

— Talvez, vai depender de como ela vai contar sobre o passado dela.

— Papai, todas as crianças já foram embora.

— A mamãe já vai lhe dar banho, acabamos de arrumar a bagunça.

Neste instante Terry e Stephany chegaram ao restaurante onde ele tinha feito as reservas.

— Nossa! Que lugar lindo!

— É um dos melhores restaurantes de Berkeley, acredito que irá gostar do local.

Ao entrarem, o recepcionista os levou até a mesa que estava reservada, em seguida o garçom apresentou o menu.

— Gostariam de fazer o pedido?

— Stephany, você me acompanha com um vinho?

— Sim, pode ser.

— Então me traga o melhor vinho que vocês têm aqui.

— Agora me conte mais sobre você. Como foi a sua infância?

— Eu e minha irmã Louise vivíamos com nossos pais em São Francisco, éramos uma família feliz. Não tínhamos muito dinheiro, mas tudo ia bem até nosso pai falecer. Ele era bastante jovem quando faleceu, por isso nossa mãe resolveu se casar novamente. Nosso padrasto era um homem que bebia muito, nós duas não gostávamos dele. Até que um dia ele chegou em casa bêbado, estávamos apenas nós duas em casa, ele entrou em meu quarto e me estuprou. Louise tentou me defender, mas ele a ameaçou e por sorte não fez o mesmo com ela. Contamos a mamãe, mas ela não acreditou na história. Achou que era tudo invenção por não gostarmos dele. No entanto, pouco tempo depois descobri que estava grávida, eu não tinha namorado, por isso tinha certeza de que estava grávida em decorrência daquele estupro. Me sentia suja, jamais teria aquela criança. Procurei ajuda e não consegui, foi então que resolvi fazer um aborto por conta própria. Tomei alguns remédios e logo em seguida comecei a passar mal. Fui levada para o hospital e depois de uma infecção acabei perdendo meu útero. Pouco depois disso nossa mãe faleceu e então nós duas saímos de casa, fomos morar em um apartamento.

— E depois disso, como foi sua vida?

— Como eu disse, trabalho há doze anos naquela empresa, neste período tive vários namorados, mas nunca ficavam comigo. Quando sabiam a verdade, que eu não podia ter filhos, eles me abandonavam. Antes que você me pergunte sobre isso, eu prefiro dizer. Já saí com homens apenas por sexo, cansei de ser humilhada, mas saiba que nunca perdi a esperança de encontrar um homem como você.

Terry tomou mais um gole de vinho antes de dizer o que pensava sobre tudo aquilo.

— Você não precisava me dizer tudo isso, saiba que eu não esperava que você fosse uma moça virgem. Mas gosto de sua sinceridade.

— Mas agora me fale sobre você, o que aconteceu com sua esposa?

— A aproximadamente quatro anos atrás ela começou a sentir alguns problemas, fomos ao médico e descobrimos que ela tinha um problema sério no coração, sua única chance seria realizar um transplante. Antes que isso fosse possível ela acabou piorando e faleceu dois anos atrás. Foi muito difícil para mim e principalmente para nossos filhos. Estávamos casados a treze anos, nos conhecemos na faculdade, Amy foi minha primeira namorada.

— Me fale um pouco de seus filhos, como eles são.

— Acho que ainda não falei o nome deles. Ele se chama Billy e ela se chama Lucy. Billy foi o que mais sentiu quando tudo aconteceu, na época ele tinha apenas sete anos. Lucy também sofreu bastante, mas já compreendia aquilo de maneira mais madura, apesar de ter apenas dez anos na época. Hoje os dois já nem falam mais muito sobre o assunto, Lucy um dia desses me perguntou se eu não ia arranjar uma namorada. Disse que não quer me ver sozinho para sempre. São duas crianças maravilhosas, tenho certeza que gostarão de você quando eu a apresentar.

— O que você quer dizer com isso?

— Quero dizer que vou levá-la até minha casa e apresentá-la a meus filhos. Eles estavam na festa hoje, mas ainda não lhe conhecem. Agora vamos pedir o jantar.

— Ótimo, estou com fome.

Logo depois do jantar Stephany disse o seguinte.

— Você sabe que eu moro em São Francisco, venho visitar minha irmã de vez em quando.

— Mas agora você tem motivo para vir aqui todas as semanas – disse Terry enquanto deslizou sua mão sobre a mão de Stephany.

Stephany realmente estava gostando daquilo, não queria criar expectativas, mas Terry parecia estar gostando dela também.

Os dois saíram do restaurante de mãos dadas e entraram no carro de Terry. Se fosse em outros tempos ela pediria para que ele a levasse para o motel mais próximo, mas Stephany não queria estragar tudo. Estava querendo arranjar um marido, não apenas mais um caso.

— Podemos ir para casa agora?

— Sim, mas me prometa que voltará para Berkeley na próxima semana. Quero que almoce em minha casa e conheça meus filhos.

— Tudo bem. Mas me diga uma coisa. Isso quer dizer que estamos namorando?

— Sim. Se depender de mim estamos.

— Então pode ter certeza que virei no próximo sábado.

Terry encostou o carro em frente à casa de John e por um momento pensou em beijar Stephany, mas acreditou que era muito cedo para isso. Talvez no próximo encontro faria isso.

— Então até sábado, Stephany.

— Gostei muito de nosso encontro, até sábado Terry.

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