A ilha deserta – primeiro capítulo

The future will bring us beautiful moments together
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Paul e Jennifer estavam distraídos olhando as águas do oceano ao longo do horizonte. Tudo estava calmo e em aproximadamente trinta minutos estariam chegando à Porto Rico.

De repente eles foram surpreendidos por um solavanco seguido de um barulho que parecia vir de um dos motores do avião.

— O que foi isso? — perguntou Jennifer assustada.

— Parece que estamos com um problema no motor esquerdo. — respondeu Scott o piloto do bimotor em que estavam.

— Isso quer dizer que vamos cair? — perguntou Paul.

— Se o motor parar totalmente teremos sérios problemas — respondeu Scott.

Todos ficaram apreensivos e Jennifer parecia paralisada de tanto medo que estava sentido. De repente houve um terrível silêncio no lado esquerdo e os dois perceberam que o motor havia parado definitivamente.

— Agora estamos com sérios problemas, vou tentar pousar na primeira ilha que avistar.

O avião já não tinha estabilidade, Paul e Jennifer já se preparavam para morrer quando Scott avisou que estavam se aproximando de uma ilha.

— Talvez não consigamos chegar ao nosso destino, é melhor tentarmos um pouso forçado, temos mais chance do que cairmos em alto mar — disse Scott gritando, mas não querendo os desesperar.

Aquelas palavras não eram as que eles queriam ouvir naquele momento, mas entre morrer afogado ou se espatifar no solo de uma ilha, pouco importava a diferença. Os dois conferiram se os cintos estavam bem firmes e aguardavam a morte ao se chocarem contra a ilha. Jennifer fechou os olhos e se protegeu se abaixando na poltrona. Paul segurou-se firme.

O avião começou a perder altitude e já era possível avistar a ilha. Quando Scott tentou aterrissar na praia, a asa direita do avião bateu em um coqueiro e ele perdeu totalmente o controle da aeronave. Ninguém conseguia ver mais nada, ouvia-se apenas o barulho do avião batendo em tudo o que tinha pela frente, depois de uma sequência de batidas o avião finalmente parou já dentro da mata. Por sorte não havia nenhuma árvore grande pelo caminho.

Foi grande a surpresa quando Paul percebeu que apesar de tudo os dois ainda estavam vivos. No entanto, não conseguiam ver se tudo estava bem com Scott.

Paul soltou-se e depois ajudou Jennifer a soltar o cinto de segurança que tinha ficado enroscado.

— Você está bem Jennifer?

— Sim Paul. Apesar de tudo estou bem. Na verdade pensei que fosse morrer e estou apenas com alguns arranhões.

— Eu também pensei que fosse o fim. Vamos ver se está tudo bem com Scott. Não ouvi a voz dele depois que o avião parou.

Os dois conseguiram sair do lugar que estavam e viram que a cabine do avião estava totalmente destruída. Logo avistaram o corpo de Scott caído sobre o painel do avião.

— Não olhe Jennifer. Scott está morto.

Paul a abraçou.

— Ele salvou nossas vidas, mas não conseguiu salvar a dele. Precisamos sair daqui, o avião pode explodir — disse Paul.

Depois de certo esforço Paul conseguiu abrir a porta do avião e os dois saíram levando apenas as mochilas que carregavam.

— Está vazando combustível, vamos nos afastar daqui — disse ele.

Quando os dois conseguiram alcançar a praia ouviram uma forte explosão e viram as chamas consumindo o avião.

— Conseguimos sair a tempo. Mais alguns minutos e teríamos virado churrasco.

— E agora o que vamos fazer? — perguntou Jennifer ainda assustada com tudo o que havia acontecido.

— Podemos sentar aqui na areia e aguardar pelo próximo avião.

— Não seja bobo Paul. Eu quero saber como fazemos para sair daqui?

— Não sei se você já percebeu, mas provavelmente estamos em uma ilha desabitada em algum lugar próximo à Porto Rico e as chances de nos encontrarem aqui são bastante remotas. Talvez ainda nos lamentemos por não termos morrido na queda do avião.

Neste momento Jennifer começou a chorar. Agora ela começava a perceber tudo o que estava acontecendo. Longe de sua família, das pessoas que ela amava, com fome, sede, perdida em uma ilha com seu colega de trabalho. Paul a abraçou até que finalmente ela parou de chorar.

— Se acalme, precisamos pensar. Nossos celulares não funcionam aqui, o rádio do avião queimou na explosão, isso quer dizer que não temos como avisar que estamos aqui nesta ilha. Logo eles vão notar o nosso desaparecimento, mas é pouco provável que nos encontrem ainda hoje, isso para não dizer impossível. Precisamos encontrar alguma coisa para comer e também temos que fazer um abrigo.

— E nós vamos comer o quê?

— Não seja boba Jennifer, vamos comer aquilo que encontrarmos, frutas, peixes. Ou você pretende ir ao restaurante mais próximo?

— Para começar vou providenciar água de coco para que possamos matar nossa sede. O avião derrubou alguns cocos ao bater antes de cairmos.

Paul pegou alguns cocos e usou uma pedra para parti-los, os dois saciaram a sede e depois comeram parte do coco que já estava maduro.

Os dois ficaram sentados na areia e observavam a imensidão do mar azul, nenhum sinal de que ao menos um barco passaria por ali.

Depois de algum tempo…

— Fique aqui, irei onde está o avião para ver se consigo encontrar algo que sirva para cortar madeira.

— Eu vou com você.

— Tem certeza Jennifer? O corpo de Scott está carbonizado e talvez você não queira ver isso.

— Não quero ficar sozinha aqui.

Os dois caminharam até o local e a vegetação ao redor do que sobrou do avião estava toda queimada ainda com fumaça sendo expelida. Paul foi até a frente do avião e conseguiu arrancar um pedaço da hélice que estava quebrada.

— Isso aqui deve servir para o que eu pretendo fazer — disse Paul.

Jennifer olhava para o que havia sobrado do avião e perguntou.

— Onde está o corpo de Scott?

— Aquilo é o que sobrou dele — disse Paul apontando na direção.

Jennifer ficou horrorizada, não imaginava que um corpo carbonizado se resumiria a aquilo, em seguida saiu correndo dali e retornou para a praia.

— Eu lhe disse que seria melhor ter ficado aqui — disse Paul ao alcançá-la.

— É que eu não imaginava que veria aquilo, talvez fosse melhor ter ficado por aqui mesmo. Coitado do Scott. Mas me diga o que pretende fazer com isso.

— Vou cortar algumas estacas e fazer um abrigo para que possamos dormir.

— Vamos dormir em uma barraca e ainda por cima juntos? — perguntou Jennifer.

— Se você tiver outra escolha, pode dormir lá no que sobrou do avião. Scott lhe fará companhia.

— Seu idiota — disse Jennifer lhe jogando um punhado de areia.

— Cuidado! Se você não se comportar eu faço uma cabana apenas para mim. Já que você não quer ficar sozinha venha me ajudar. Vamos deixar as mochilas aqui, afinal ninguém irá roubá-las.

Os dois caminharam um pouco dentro da mata e logo Paul encontrou algo que serviria. Depois de muito esforço conseguiu cortar algumas varas de bambu e alguns cipós. Paul carregou as estacas e Jennifer os cipós. Usando as técnicas de sobrevivência que havia aprendido no exército ele cavou a areia e fixou as estacas, em seguida utilizou o cipó para fixá-las no topo formando uma espécie de barraca.

— Agora precisamos de algumas folhas de coqueiro para cobrir. Acredito que aquelas do coqueiro caído são o suficiente.

Paul colocou as folhas sobre a barraca e as fixou com os cipós.

— O que achou Jennifer?

— Não sei se isso irá nos proteger de alguma coisa, mas como não temos escolha está bom. Estou ficando com fome, você não tem nada para comer em sua mochila?

— Absolutamente nada. Vou tentar pegar alguns peixes antes do anoitecer para que possamos saciar nossa fome.

Paul pegou uma estaca em forma de arpão e amarrou um cipó na outra extremidade, em seguida caminhou até a beira do mar procurando um lugar apropriado para pescar.

Jennifer ficou na barraca observando à distância. Estava com a bexiga doendo de vontade de fazer xixi, ela então foi atrás da barraca onde Paul não poderia avistá-la. — Meu Deus! Como é que iremos tomar banho — pensou ela.

Aproximadamente uma hora mais tarde Paul retornou trazendo um peixe.

— Aqui está o nosso jantar. Vamos comer?

— Você não está querendo insinuar que teremos que comer peixe cru? Eu odeio sushi.

— Pensei que você estivesse com muita fome, mas não se preocupe. Eu tenho um acendedor que carrego sempre em minha mochila, também tenho um canivete. Nunca sabemos quando vamos precisar. Enquanto eu preparo o fogo você limpa o peixe.

— Limpar o peixe! Mas ele já não está limpo, foi retirado da água?

— Então você acredita que os peixes saem da água prontos para irem ao forno? Eu não ouvi uma coisa dessas? Estou me referindo às vísceras, tripas se é que me entende.

— Credo que nojo. Se eu fizer isso não terei coragem de comer depois.

— Tudo bem, pode deixar que eu faço todo o serviço, mas por causa disso nosso jantar vai demorar um pouco mais para ficar pronto.

Paul arrumou alguns gravetos e fez uma espécie de churrasqueira improvisada, depois colocou alguns pedaços de madeira e acendeu o fogo. Depois limpou o peixe. Em menos de uma hora o peixe já estava assando.

— Paul. O sol irá se por daqui a pouco e ainda não tomei banho.

— Realmente acha que é necessário?

— Sim. Jamais em toda a minha vida passei um dia sem tomar banho.

— O peixe ainda vai demorar um pouco para ficar pronto. Se quiser pode tomar banho antes do jantar.

— Tomar banho, onde?

— Não me faça rir Jennifer. Olhe o tanto de água a sua volta e você me pergunta onde irá tomar banho? Sei que a água é salgada, mas enquanto não encontrarmos um local mais adequado esse é o único jeito.

— Promete que não vai olhar para mim enquanto eu estiver sem roupa? É impossível tomar banho sem ficar nua.

— Não seja boba Jennifer. Estamos aqui perdidos nesta ilha e nem ao menos sabemos se iremos sobreviver e você está preocupada com isso. A única pessoa que pode ver você nua sou eu e no momento estou aqui cuidando de nosso jantar. Mas se você quiser pode ir para bem longe para que não fique ao alcance da minha vista.

— Por acaso você tem uma toalha aí? — perguntou Jennifer.

— Não. Não costumo carregar toalhas. Sempre utilizo a do hotel.

— E agora o que eu faço?

— Fique nua e espere seu corpo secar, depois você veste a roupa limpa, acredito que você tenha roupas limpas.

— Sim, são poucas, mas tenho. Como ficaríamos apenas um dia em Porto Rico eu trouxe apenas o suficiente.

Jennifer caminhou até a beira da praia e encontrou um lugar não muito distante de Paul. Não queria que ele pudesse vê-la nua, mas também tinha medo de se distanciar muito e quem sabe passar por algum perigo. E se aquela ilha não fosse deserta como eles imaginavam?

Ela olhou para trás e certificou-se de que Paul não estava olhando e então começou a tirar a roupa. Primeiro tirou a blusa e o sutiã, em seguida a calça branca que usava e a calcinha. Então entrou na água molhando as pernas até a altura dos joelhos e começou a se lavar. Na verdade, aquilo não era um banho de verdade, mas era a única coisa que Jennifer tinha a disposição naquele momento.

Enquanto isso, Paul olhava mais para a praia do que propriamente para o peixe que estava assando. Já tinha visto algumas mulheres nuas, mas nunca assim em uma praia deserta a algumas dezenas de metros dele. Paul ficou encantado com as curvas de Jennifer, apesar de se conhecerem a algum tempo ele nunca imaginou que ela tinha aquele corpo tão maravilhoso. Quando ela se virou para pegar as roupas, Paul fingiu não estar olhando. Então Jennifer vestiu as roupas limpas e voltou para perto de onde ele estava.

— Nossa! Você vestiu a roupa com o corpo molhado. Pode pegar um resfriado.

— Com o calor do fogo vai secar rapidinho.

Paul viu que ela não usava sutiã e a blusa sobre a pele molhada revelava tudo o que ele desejava ver a poucos minutos antes. Estava sentindo desejo por sua colega de trabalho. Não acreditava que aquilo estava acontecendo, mas gostava muito do que via.

— O peixe está pronto, vamos comer.

Jennifer pegou um pedaço e colocou na boca.

— Está um pouco sem sal — disse ela.

— Sim, não tive tempo de ir ao supermercado — retrucou Paul.

— Não seja bobo Paul, só disse que o peixe está sem sal.

— Sem sal, sem tempero, é um peixe direto do mar. Deveria dar graças a Deus por ter isso para comer.

— Desculpe Paul. Sei que se não fosse por você estaríamos tomando água e comendo coco apenas.

— Para mim o peixe está uma delícia. Agora vamos deixar de conversa e comer isso logo — disse Paul.

Depois de alguns minutos…

— Agora você lava a louça que eu vou tomar banho — brincadeirinha — disse Paul antes que Jennifer tivesse tempo de se irritar.

Ele então pegou apenas uma sunga e foi tomar banho. O sol ainda não havia se posto completamente e Jennifer conseguia ver seu corpo contra os raios do sol. Ela não queria olhar, mas não conseguia evitar aquilo. Jamais tinha visto um homem nu naquela situação e como aquilo mexia com ela. Paul não tinha o corpo do tipo atlético, mas era o suficiente para fazer uma mulher suspirar. Estava ficando excitada e com pensamentos eróticos.

— O que está acontecendo comigo, estou sentindo atração pelo Paul — pensou ela.

Depois de tomar banho Paul retornou utilizando apenas a sunga e se aproximou do fogo. Jennifer não conseguiu desviar o olhar e ficou envergonhada quando Paul percebeu para onde ela estava olhando, mas ele deu apenas uma risadinha. Quando já estava completamente seco vestiu uma camiseta e um short que estava em sua mochila.

— Vou dormir, estou bastante cansado e com sono.

— E aonde iremos nos deitar, na areia? — perguntou Jennifer.

— Pode ser, mas podemos utilizar nossas roupas usadas para forrar o chão, o que acha?

— Não é nenhum lençol de seda, mas ajuda um pouco — respondeu ela.

Depois de colocarem as roupas estendidas no chão e quando Paul se preparava para deitar, Jennifer disse.

— Estou com sede.

— E o que você quer que eu faça? Busque água na geladeira? Tudo bem, eu vou abrir um coco para nós dois.

Depois de saciarem a sede finalmente se deitaram. Paul se virou para o lado e Jennifer puxou conversa.

— Será que alguém irá nos encontrar aqui nesta ilha?

— Não sei, talvez fiquemos aqui para o resto da vida, talvez nos encontrem amanhã, daqui a um ano, quem sabe.

— Vire essa boca para lá, eu tenho apenas três trocas de roupa e como nós sobreviveríamos o resto da vida comento apenas peixe e tomando agua de coco?

— Amanhã nós vemos isso, quem sabe encontramos um rio de água doce e matamos algum animal para que possamos comer, mas agora me deixa dormir.

— Paul.

— O que é Jennifer?

— Preciso ir ao banheiro e tenho medo de sair no escuro.

— Não tem perigo algum, vá aqui atrás da barraca, se é que você quer fazer o número um, é lógico.

— Sim. Tomei muita água e agora preciso fazer xixi.

Jennifer então se levantou e foi atrás da barraca, mas Paul disfarçadamente ficou espiando pela fresta. Aquilo o deixou absurdamente excitado.

Logo em seguida…

— Agora podemos dormir?

— Sim. Boa noite Paul.

— Boa noite Jennifer.

**********

Naquela manhã Paul e Jennifer estavam em um aeroporto da cidade de Miami e se preparavam para viajar a Porto Rico, a viagem duraria apenas um dia. Os dois precisavam fechar um acordo com uma empresa de turismo, isso fazia parte dos negócios da empresa para a qual os dois trabalhavam.

Paul era encarregado dos contratos e Jennifer era responsável por assessorar ele na escolha dos melhores hotéis para que a empresa pudesse fechar os acordos.

Paul era alto com seus 1,80 m. e cabelos escuros, formou-se em administração depois de servir ao exército por três anos. Já estava há dois anos na empresa e tinha vinte e cinco anos.

Jennifer não passava de 1,65 m, cabelos louros, pele clara e um lindo sorriso. Formada em hotelaria e turismo trabalhava na empresa há apenas seis meses e estava com vinte e três anos. Os dois se davam bem profissionalmente, nada, além disso, Paul não tinha namorada e Jennifer também estava sozinha no momento.

Logo que os dois entraram no avião bimotor, o piloto que se apresentou pelo nome de Scott pediu para que eles colocassem o cinto de segurança. Jennifer hesitou, mas Paul acabou a convencendo que era para sua segurança. O avião decolou e depois de algum tempo o voo estava perto do fim, foi quando o inesperado acabou acontecendo.

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